TEXTO
TRAJETÓRIA MILITAR E SERVIÇOS DISTINTOS DE UM OFICIAL CEARENSE DO IMPÉRIO

Tibúrcio o grande soldado e pensador
Nasceu em Viçosa do Ceará no dia 11 de agosto de 1837, o digno cearense se assentou praça em 26 de junho de 1851. Filho de Francisco Ferreira de Souza e Margarida Ferreira do Nascimento. Foi promovido a 2º tenente em 2 de dezembro de 1857, a 1º tenente em 3 de dezembro de 1863 com antiguidade de 28 de novembro do mesmo anno, a Capitão em 15 de julho de 1864, a major em 22 de setembro de 1866, por actos de bravura, a tenente-coronel em 18 de janeiro de 1868 por serviços relevantes, a Coronel em 14 de agosto de 1871 e a BRIGADEIRO a 27 de junho de 1880.
“Certidão de Batismo – Do livro de Batizados de Viçosa, relativo aos anos de 1837 -1884, segue Certidão de Batismo do livro “Tibúrcio – O Grande Soldado e Pensador” de Eusébio de Sousa, pág. 18: “Aos 8 de 7bro de 1837 nesta Matriz de N. S. da Sumpção de Va. Vça. Baptisou o Rdo. Vigario e deu os Santos Oleos a ANTONIO nascido aos 11 de Agosto do dito ano fº de Francº Ferra. de Sousa e Margaida Ferra. do Nascimento forão seus padrinhos Ignaçº João Barcelos e Maria dos Anjos do que para constar mandei fazer este a Sento o que assignei. Pelo falecido Vigr.º Felipe Benicio Maria – O Vigr.º João Chriszostomo de Oliver.ª Fie.”

1. Tibúrcio – Capitão da Artilharia (1866); 2. Tibúrcio – Coronel (1875); 3. Tibúrcio – Brigadeiro (1880)
Era condecorado com a dignatária da Rosa, com o Hábito do Cruzeiro e com as medalhas do Mérito Militar da Campanha Oriental e 65 e a do Paraguay com o passador nº 4. Exerceu comissões importantes , destacando-se a do commando da Escola Militar d’esta província, a de inspector das fortificações do Amazonas e do commando das armas de Pernambuco. Esteve na Europa incumbido da compra de materiaes para o exercício e falleceu no exercício do cargo de inspetor do 5º e 15º dos batalhões de infantaria e das fortalezas do littoral entre Parahyba e Pará.”
MEDALHA DE PRATA DE CORRIENTES

Medalha de Prata de Corrientes – Raríssima medalha de Guerra do Paraguai aos vencedores de Corrientes, concedida pelo Congresso Argentino aos combatentes de Corrientes. Modelo entregue aos brasileiros, com contra argola atravessando a medalha. Datada de 25 de maio de 1865. Em liga de cobre/bronze. (Foto: Acervo fotográfico do Comando da 10ª região Militar/ General-de-Divisão Lima Verde).
MEDALHA DE PRATA DE RIACHUELO

Medalha de Prata de Riachuelo – Medalha concedida pelos Decretos 3529 de 18 e 3548 de 29 de novembro de 1865. Fita branca com duas listras verdes laterais, da largura de seis milímetros, ficando a orla igualmente branca com dois milímetros de largura. Tibúrcio foi condecorado com a medalha de prata comemorativa da batalha naval de Riachuelo, por ter tomado parte nesse feito, destacado no vapor “Beberibe”, passando-se depois para “Belmonte”. (Foto: Acervo fotográfico do Comando da 10ª região Militar/ General-de-Divisão Lima Verde).
OFICIAL DA ORDEM DA ROSA

Oficial da Ordem da Rosa – Por decreto de 17 de agosto de 1866, foi-lhe conferido o grau de Oficial da Ordem da Rosa, pelos serviços prestados em campanha, de 16 e 17 e 2 e 24 de maio. (Sem coroa e placa).
OFICIAL DA IMPERIAL ORDEM DO CRUZEIRO

Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro – Por decreto de 11 de abril de 1868, foi-lhe conferido o Grau de Oficial da Ordem do Cruzeiro pelos serviços prestados no combate de Estabelecimento.
MEDALHA DE PRATA DA CAMPANHA DO URUGUAI

Medalha de Prata da Campanha do Uruguai – A 15 de dezembro de 1869, foi público ter-lhe sido conferida a medalha de prata da Campanha do Uruguai, em atenção aos relevantes serviços prestados na mesma campanha. (Foto: Acervo fotográfico do Comando da 10ª região Militar/ General-de-Divisão Lima Verde).
MEDALHA DO MÉRITO MILITAR


Medalha do Mérito Militar – A bravura militar, concedida pelo Decreto nº 4.131 de 28 de março de 1868, para os que se distinguirem por bravura em qualquer ação de guerra; de bronze, e pendente do peito esquerdo por uma fita de dois dedos de largura e três litas iguais, escarlate a do centro e verde as extremas. Afita terá tantos passadores de prata (7,7, a,b,c,d, etc), quantas forem as vezes em que tiver sido galardoado com a mesma medalha. Em cada passador haverá inscrito a época do feito meritório. O Decreto nº 4.143 de 5 de abril, fez extensivo à armada a medalha de mérito para as praças do exército. (Foto: Acervo fotográfico do Comando da 10ª região Militar/ General-de-Divisão Lima Verde).
MEDALHA GERAL DA CAMPANHA DO PARAGUAI

Medalha Geral da Campanha do Paraguai – Criada por D. Pedro II por Dec. 4.560 de 6 de agosto de 1870. destinou-se a premiar os que fizeram parte do Exército em operações contra o Governo do Paraguai. Ela foi cunhada do bronze dos canhões tomados dos paraguaios. A fita representa as cores da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai). Possui 5 linhas de igual largura assim dispostas da esquerda para a direita: verde, branca, azul, branca, amarela. Ela representa uma Cruz de Malta tendo ao centro uma coroa fechada de ramos de carvalho entrelaçados de fitas cruzadas. No anverso traz a legenda – Campanha do Paraguai e no reverso a data 6-1870-8 (6 de agosto de 1870) do decreto que a instituiu. Era usada do lado esquerdo do peito pendente de fita e esta a um passador. No centro do passado um número de 1 a 5 para indicar o período da campanha, cada um representando um ano.
O BRAVO CORONEL ANTÔNIO TIBÚRCIO FERREIRA DE SOUZA:

“Tibúrcio vanguardeiro das reivindicações militares, falecido prematuramente, pouco antes do advento da República, dizia ele, que o “exército devia fortalecer a disciplina da Ciência e a aristocracia da força”.
“O bravo Coronel A. Tbúrcio – Lê-se na Reforma de 30 de março: “Depois da resenha, que hontem fizemos, dos serviços prestados pelo batalhão nº 26 de voluntarios da Patria, neste glorioso de milhares de cearenses que marcharam para a guerra. Vamos dar uma noticia de alguns dos principaes feitos do valente Coronel Antonio Tiburcio Ferreira de Souza, que commanda essa phalange de triumphadores. No posto de 1º tenente de artilharia, marchou para Montevidéo em dezembro de 1864 incorporado ao 1º batalhão da mesma arma. Fez parte do Exército que entrou àquella cidade no dia 20 de fevereiro de 1865. Mais tarde, destacado a bordo da esquadra desembarcou em Corrientes a 25 de maio de 1865, commandando uma bateria de obuzes.

Tela existente na Prefeitura Municipal de Fortaleza, representando Tibúrcio, então capitão de artilharia, num assalto ao Forte de Itapirú (Campanha do Paraguai) a 10 de abril de 1866. É de autoria de Vitor Meireles (1867)
No combate que ahi travou-se contra as forças invasoras de Lopez, praticou actos e admiravel valor, tornando-se credor de enthusiasticos louvores na parte que deu a seu governo o benemerito general Paunero, commadante da força junto à qual servira o coronel então tenente Tibúrcio. Na Ilha da Redempção, em frente a Itapirú, commandava uma bateria de morteiros, quando a guarnição d’aquella nesga da terra, composta apenas de uns 800 homens foi atacada por uma columna de 1400 paraguayos na madrugada de 10 de abril de 1866, e distinguiu-se pelo dendo e arrojados commetimentos entre os bravos, que heroicamente repelliram o inimigo. Era a esse tempo capitão.
A primeira página do jornal “Libertador”, edição única, distribuída por ocasião das “Kermesses” levadas a efeito, em Fortaleza no ano de 1887, em prol da ereção de uma estátua ao general Tibúrcio.

General Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza – Tela existente no Museu Histórico do Ceará, de autoria do artista cearense J. Carvalho.
Na batalha de 24 de maio, sendo major de commissão e fiscal do 3º de voluntários (da Bahia) e servindo na vanguarda de Tuyuti, conquistou as mais vivas flores, que, abraçando-o depois da batalha, declarou que se orgulhava de combater ao lado de officiaes tão briosos, como Tibúrcio. Tomou parte nos renhidos combates de 16 a 18 de junho, nos quaes, como nos anteriores, portou-se com admirável galhardia. No commando do 16º batalhão de infantaria em Tuyuti prestou importantes serviços, tomando parte activa nos fortes tiroteios de dezembro de 1866, janeiro e fevereiro de 1876, auxiliando officialmente a commissão de engenheiros efficazmente a commissão de engenheiros nos perigosos trabalhos em frente das linhas inimigas. Tendo marchado para Tuyu-C, reunido ao 1º Corpo do Exército, foi em outubro de 1867 mandado pelo Marquez de Caxias com seu batalhão para o Chaco, afim de prestar auxílios à esquadra, que tendo ficado em Curupayti, achava-se privada de communicação franca pelo rio. No desempenho d’esta commissão deu provas de indefessa actividade, como attestam todos os seus companheiros d’arma do Exército e armada.

Brigadeiro Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza foi um intransigente defensor do Abolicionismo e tentou sem sucesso, eleger-se Senador pelo Ceará.
A bordo de um pequeno vapor embarcou ahi com 50 soldados e atravessando o rio, soltou n’um ponto entre Humaitá e Curupaiti e fez o reconhecimento da lagoa Amboré-Cué, acto de singular intrepidez. No ataque do Forte Estabelecimento em 19 de fevereiro de 1868 foi verdadeiro heróe avançando entre os primeiros sobre as trincheiras inimigas, e sendo por isso mencionado com distincção na ordem do dia do general em chefe. Ainda à frente do batalhão 16 de infantaria, tomou parte nos combates do Chaco de 2, 4, 8 e 18 de maio de 1868. Foi o primeiro commandante da força que em outubro do mesmo anno destacou para o Chaco, onde abriu uma picada, contendo o rio Paraguay em direcção ao ponto fronteiro à Villeta. N’esse penoso trabalho teve em outros em dous reconhecimentos com partidos paraguayos, n’um dos quaes fez alguns prisioneiros, e n’outro travou uma luta memoravel, perdendo o cavallo, na peleja, e batendo-se braço a braço. Ahi arruinou-se a sua edade, pelo que foi obrigado a retirar-se para o Brasil afim de tratar-se.

Tibúrcio, herói em Tuiuti, foi tribuno na Fortaleza a serviço da emancipação dos pobres filhos d’Africa deserdados de todos os foros humanos e reduzidos e vis instrumentos das raças favorecidas que possuíam a terra” (SOUZA, 1938, P. 126).
Em abril de 1869 regressou ao Paraguay, acompanhando o Sr. Conde D’Eu, e na qualidade de deputado do ajudante general do 2º Corpo do Exército assistiu a batalha de Peribebuy e a tomada de Caguidjurú, onde muito se distinguiu. Sua Alteza o Sr. Conde d’Eu, incumbindo-o de conduzir à pátria o 26º voluntarios, fez justiça aos sentimentos de todos os cearenses para com esse benemerito filho do Ceará.”
O 26º DE VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA
“O 26º Voluntarios da Pátria – Lê-se no mesmo jornal: “Consta-nos que Leopoldina partiu hontem às 8 horas da manhã de Santa Catharina e deve chegar hoje, trazendo o 26º Voluntarios. A breve resenha que vamos fazer, dos brilhantes feitos d’esse batalhão, bastará para recommendá-lo à gratidão nacional. Embarcou nesta Corte para Montevidéo, com destino à Campanha do Paraguay, em junho de 1865 – Acampou na República Argentina, junto ao Arroio Juquery em julho do mesmo anno. Em agosto marchou com o Exército, atravessando-o as províncias de Entre-Rios e Corrientes, indo acampar na Lagôa Brava, e sucessivamente em Tala-Corá. Fez parte da divisão que primeiro pisou o território paraguayo e primeiro bateu as forças inimigas, sendo mencionado de modo muito honroso pelos serviços prestados nos combates de 16 e 17 de abril, os quaes guiou-o o seu distincto commandante, então major Francisco Frederico Figueira de Mello, de saudosa memória. Conquistou glorioso nome dos ataques de 2 e 24 de maio, 16 e 18 de julho de 1866, sendo concordes todos os chefes de divisões e brigadas em considera-lo um dos corpos mais disciplinadores e intrépidos. A 2 de maio ia este distincto batalhão sendo victima de seu admiravel valor. Avançando-se até muito perto do entrincheiramento do inimigo, viu-se inesperadamente com a retirada cortada por forças de infantaria e de cavallaria em numero, o 26º de volluntarios, tendo aberto o caminho à bayoneta, voltou ao nosso campo, com perda de uns 80 homens talvez, trazendo porém a bandeira gloriosa, que recebera das mãos dos cearenses. A 24 de maio e a 16 e 18 de julho, do mesmo modo sustentou elle o credito, que já conquistára nos feitos anteriores. Fazendo parte da 1ª divisão de infantaria, ao mando junto á mata do Potrero Piris, sujeito à toda costa de fadigas inherentes ao serviço da vanguarda. Fez com o 1º Corpo do Exercito, a que pertencia em julho de 1867, a marcha do flanco sobre Tuyu-Cué, onde acampou a 31 de julho do dito mez. Fazendo parte da força que occupou Tayi, alli esteve destacado desde 2 de novembro de 1867 até 17 de agosto de 1868, em que achou com o exército em perseguição ao inimigo para Tebiquary, seguindo até Surubihy. A 29 de outubro, embarcou para o Chaco, indo alli reunir-se ao 2º Corpo do Exército, acompanhando-o nos penosos trabalhos começados pelo bravo Coronel Tibúrcio, que se retirou gravemente doente e terminados pelo distincto general Argollo, que jamais cessou de fazer os mais significativos elogios a 26 de Voluntarios. A 4 de dezembro embarcou com destino ao território paraguayo, desembarcando na manhã de 5 na barranca denominada – Santo Antonio. Tomou parte muito activa no ataque de 6 a parte de Itororó, onde bem mereceu de seus chefes. Ahi teve fóra de combate cento e tantos homens entre os quaes o seu comandante, feridos varios officiaes, e mortos outros, cuja bravura não desmentira o nome tradicional de seu batalhão. Entrou ainda no batalhão de 11, em Avahy, conquistando mais uma vez merecidos louvores por sua disciplina e bravura. Teve por commandantes quatro officiaes distinctos Tenente-Coronel Francisco Frederico de Mello; Major Sebastião Tamborim, da província do Ceará, Tenente-Coronel Gabriel de Souza Guedes, da de Pernambuco, e o Major Domingos Alves Barreto Leite, da do Rio Grande do Sul, dos quaes somente existe o ultimo. Pode se talvez dizer sem receios de errar que o 26 não consta em seu seio cincoenta homens que não houvessem sido tocados pela balla ou ferro inimigo. Depois de tão nobres serviços foi o 26º de voluntarios dissolvido em Villella, por ordem do general em chefe o Sr. duque, então Marquez de Caxias, que aliás lhe dispensára elogios na ponte de Itororó. felizmente o Sr, Conde D’Eu, correspondendo aos votos da imprensa da provincia e de todos os cearenses, reorganizou o unico batalhão que representava d’entre tantos milhares de cidadãos que nobremente marcharam para a guerra, e deu-lhe para commandante um dos mais illustres militares, digno por sua intelligencia e bravura, da prova de consideração que acaba de receber do principe commandante em chefe. Amanhã daremos um resumo dos feitos gloriosos, que foram a aureola do tenente-coronel Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousa, o BRAVO COMMANDANTE DESSA PLEIADE DE BRAVOS.”
CENTENÁRIO DO GENERAL TIBÚRCIO: VIDA E AÇÃO DO GLORIOSO SOLDADO BRASILEIRO.

Em 11 de agosto de 1937 (1º Centenário de aniversário de Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza), a primeira estátua de Tibúrcio foi substituída à primeira pela atual, esta última esculpida pelo italiano Augustinho Odísio Balmes (ao lado do pedestal), trazida de Juazeiro do Norte e que custou 10.000$000 (dez mil contos de réis).
“Em sua cidade natal. no Ceará, inaugura-se o seu monumento – outras solemnidades de caracter civico. Comemora-se hoje o centenário de nascimento do general Tibúrcio de Souza, na antiga Villa de Viçosa no Ceará. Filho de soldado, neto de soldado, a sua árvore genealógica tem o seu trono em militares do tempo da colônia. Feito na carreira das armas, com o curso da antiga Escola da Praia Vermelha, della saiu 2º Tenente, em57. Passou ainda pela Escola Central onde se distinguiu em sciencias physicas e mathematicas. É depois professor de Physica e Chímica na Escola Militar. No Magisterio, tem lugar destacado. Como guerreiro, participou do Cerco de Montevidéo contra os blancos em 1864. Assiste à captulação da praça uruguaia. Continua sua ação nas forças contra Lopez, no Paraguay, em 1865. Dali, por diante, são numerosos os episódios de campanha em que a bravura deTibúrcio tem as maiores expressões. Caxias louva-o com enthusiasmo, refere-se a elle com palavras de alta significação. É ferido em Tuyuti. Refeito volta ao campo da luta. Vai subindo de posto, adoece, vem ao Rio, retorna ao Paraguay, fôrça com suas tropas, a passagem de Humaytá, e toma a fortaleza inimiga. Adoece de novo e mal se restaura, em 1869, vae para a batalha final da Cordilheira, para Peribebuy e Campo Grande. Terminada a guerra, o patriota não repousa. Dirige obras militares na fronteira, em região inhospita. Depois é diretor da Escola Militar de Porto Alegre. Escreve na imprensa, artigos de Sociologia. Por fim, em 1880, é promovido a general. Além disso, Tibúrcio de Souza, era um republicano ardoroso, que não escondia a sua idéa. Foi chefe da comissão de compras do Exército na Europa. Nessa situação com facilidade de receber uma fortuna dos fornecedores, que de acordo com as praxes, lhe ofereceram vantagens, recusou-as. Mais tarde, a sua viuva, que dele herdara apenas a tradição de honradez e o nome glorioso, teve de aceitar uma pequena pensão decretada por Floriano.”

Monumento erigido na cidade de Fortaleza em homenagem à memória do General Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza, em abril de 1888 (O Libertador, 1880 – Kermesse).
O general Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza era de estatura abaixo de mediana, olhos pardos, cabellos castanhos, tez alva, um pouco lívida, mãos e pés relativamente grandes e grossos, estes com meio joanetes, musculoso; barba pouca na face, espessa no queixo, formando um cavagnac; bigode cerrado; na cabeça cabelos finos e pouco densos, cortados abaixo, começando a embranquecer summamente agil, os movimentos lhe eram como vibrações. Na sua juventude, foi a admiração dos companheiros no exercício da balisa, bom esgrimador e atirador no alvo. Montava como um beduíno saltando em terra em qualquer disparada do animal, para correr seguro ao pescoço deste, e retomar a sella. Era optimo official de artilheria, conhecia todos os generos de construcções militares, e tinha noções completas de sciencias physicas applicadas à guerra e em todos os seus ramos. Conhecia bem o direito das gentes, todas as escolas philosophicas, a história antiga e a moderna, a literatura classica e romantica; declamava admiravelmente e recitava Victor Hugo e muitos outros grandes postos, com a entonação e modos dum artista. Dotado de uma memória prodigiosa, era como um repertório das coisas e dos homens, que mais rapidamente tivessem atravessado diante delle. Tinha uma voz , que se de stentor, que se lhe abalou em combates repetidos dos dias inteiros, nos quais trazia aterrado o seu regimento, impellindo-o para deante. Vestia com esmero, e guardava as malas com certo rigor. no campo era, porém, um pouco berbére, vestindo a ligeira e carregando-se de armas. Ostentoso como Morat nos combates e nos salões, tinha o seu tanto de gladiador, combatendo os soldados quasi nus do Paraguay, corpo a corpo. Meio cortezão, meio diplomata, seduzia e enleiava os grandes; soldado cru e desapiedado, era o terror do inimigo; chefe intransigente e disciplinador acampando com os soldados e comendo do mesmo churrasco, era objecto para elles com respeito misturado de medo e de uma estima, que tinha seu tanto de admiração e agradecimento pois que pelos seus soldados fazia questão como por seus irmãos.

“Não há a menor necessidade de reiterar o que eu já tenho dito relativamente às minhas crenças e aspirações políticas” (TIBÚRCIO apud Rio, 18/07/1878).
Da instantaneidade de seus sentimentos e movimentos aliados à sua fé de soldado e à sua energia de comandante. Numa batalha que se decidia, na guerra do Paraguay o general em chefe da estrategia, oppoz a resistencia tenaz e dizimava-lhe as fileiras, fazendo crear o terror no ânimo de seus bravos e começavam os signaes de panico entre elles. Um official superior, por fim, deixou a filleira e primeiro procurou um abrigo… Tiburcio foi sobre ele, e matou instantaneamente, gritando avança! aos demais. A columna girou, immediatamente para a frente como uma avalanche de fogo sobre um chão inundado de sangue, para cair sobre o inimigo. Tudo estava salvo, devido à este expediente barbaro da disciplina. Perguntado sobre este crime da profissão, Tiburcio respondeu: – Foi verdade, mas sem isto a operação estaria perdida, e com ella, muitas vidas, e a honra nacional; talvez mesmo, a campanha e os milhões do Brasil; tudo foi a dura lei da guerra, a necessidade de vencer num círculo de officiais, trajando à paisana fazia as delícias dos Commandos com o epigramma e anedota, o arremedo, os ditos picantes e espirituosos. Pronunciava bem o hespanhol, o francez e o inglez. Entre a gente rustica do campo, soltando-se sobre as pessoas convivia admiravelmente, fazendo-se-lhe renderem aquellas almas incultas para depois, espirito immensamente assimilador ser hospede de Krupp no seu palacio deslumbrante de Essen e em festas da Côrte de Berlim, sentar-se à mesa com o imperador Guilherme. Numa companhia de senhoras era o galanteio vivo, a cortezia e o preito levado a categoria de culto, a amizade traduzida em actos e palavras, que tinham seu tanto de amor fraterno e da liberdade e supremacia do chefe de familia. Duma convivencia admiravel sabia falar linguagem que se adaptava a todo mundo; as creanças beijavam muito cioso do seu nome, altivo mesmo e incapaz de qualquer baixeza, tinha a alma. Todavia escamada de preconceitos de casta e de classe; falava das privações do lar paterno, e das humilhações de sua pobreza de estudante com certo amor a esta phase da vida, e sem nenhum intuito de elevar-se indicando a distância que tinha vencido. Instintivamente se transportava a sua edade juvenil, para mesa opipara, preferir o que mais se approximava do pão grosseiro que comera, ao lado de sua santa mãe, sempre viva na sua mente, e em adoração perene. A mesa, os vinhos, o jogo, as mulheres nunca foram a sua paixão. Não prezava o ouro e o dava com generosidade e largueza, mas preserva e se lisonjeava muito de uma ordem do dia, de um arco triumphal, de uma ovação publica, de um acolhimento da imprensa. Amava os presentes pela significação delles, dando vallor immenso a uma photographia, a uma fita, a uma ninharia, emfim, que recordasse um facto de sua vida; uma affeição. Corretissimo e de uma probidade exemplar não contraia dívidas que não pudesse pagar de prompto, e reduzia sua mesa, quando lhe escasseavam os recursos. Sua casa era armada só de livros e e armas.

A lealdade de seu caracter, sua conversa variada, instructiva e attarente e a egualdade com que recebia os amigos, grandes e pequenos lhe produzia, por toda a parte, sequito consideravel. Assim poucas horas estava a sós. Vivaz, incisivo, rapido na percepção intellectiva como no movimento e nos sentidos, tinha na face, uma contracção, nos musculos com vibração para cada situação nova do seu espirito; era como o poraquê dos nossos climas, communicando a sua eternidade. Um discurso do general Tiburcio tinha o cadenciado de uma caixa de guerra e communicava aos nervos do convite as vibrações do Tympano. Falava admiravelmente, aos soquêtes e na sua palavra de guerra aninhava perfeitamente com resedá desfolhado dos poetas a sentença do estoico, o abstracto de Kant, a lei de Lavoisier e de Adam Smith, e o principio da democracia ultra. Tiburcio, soldado e metralhador, especie de furia desencadeada no campo de batalha, era inimigo convicto do pretorianismo e esteve sempre ao lado do poder civil, para combater as arguições de mando do soldado. Era profundamente republicano e na mecânica dos governos só acreditava na força impulsiva da escola. Prezava os industriaes e se lisonjeava muito da estima delles. Morreu de coração, como dizia elle, deviam morrer quantos escaparam dos bombardeios perennes, noite e dia, nas Linhas Negras, mas pouca horas antes, já suffocado, e tumido dos pés ao rosto, recitou com enthusiasmo juvenil grandes trechos da poesia épica. No momento fatal beijou, abraçou e fez despedidas à familia e aos amigos presentes na sua phrase de governo em tom de despedida final, e grande resolução num apartamento eterno. Ao filho dizia -trabalho; aos amigos – muito obrigado; muitas recommendações a fulano… nem uma lágrima, nem uma queixa! espírito inteiramente descaptivado da piedade materna, cuja base tinha sido a fé, não morrer na religião de seus paes, mas na sciencia dos contemporâneos, exigindo somente sete palmos de terra, e dispensando toda prêce. Pelo lado paterno era filho e neto de soldado, pelo lado materno, de camponeses. Foi sargento da companhia, alumno da Escola Militar, chefe de classe, explicador de mathematicas, para haver o pão, preparador de physica e chimica, e muito perseguido pelos seus commandantes por amor de suas resistencias”
“Foi assim que um conterraneo de Tiburcio Virgilio Brigido descreveu no “Libertador” de 3 de fevereiro de 1887: “Hoje em Viçosa, no Ceará, entre outras solemnidades haverá a inauguração do monumento ao general Tibúrcio. Aqui no Rio, em diversos departamentos militares haverá cerimonias votivas de culto à memoria do grande soldado. A que se deveria realizar-se na Fortaleza de Santa Cruz, foi adiada para amanhã, por motivo de não comparecer o Presidente da República, que deseja assistil-a”
TIBÚRCIO: DA OBSCURIDADE À IMORTALIDADE.

“Servir ao país é uma grande honra; mas no Brasil isso só não é bastante: é preciso também servir às individualidades como se fôssemos fâmulos” (TIBURCIO apud CÂMARA, 1978, P. 294).
“Fortaleza, 2 de abril de 1885 – general Tibúrcio – Já pertence à história o nome do grande general Tibúrcio. A’s 9 horas da noite de 28 do passado apagou-se naquella organisação privilegiada a entelha divina deixando no coração da patria o vacuo tão fundo que nem poderão encher as lagrimas de uma geração inteira! Oh, que uma tremenda maldicção flinge esta terra infeliz! Um apoz outro vão apparecendo os seus mais dilectos filhos, os seus mais luzentes glórias. Desherdada pela natureza, que lhe deu em quinhão um céo abrazador e um chão ingrato, ella tinha ao menos os seus filhos, que lhes fasião o nome, respeitado e querido. Mas hoje… nem mais como a mãi dos Gracchos, pode a infeliz mostrar suas joias à presumpçosa patricia! Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza era com effeito uma glória desta patria tão pobre de esplendores. Nascido como Themistocles na obscuridade, abrio para si um caminho illustre com a ponta de sua espada heroica e collocou-se bem alto e seguro na estima e na admiração de todos. Foi uma verdadeira ilíada. Esta ascenção da sombra da obscuridade ao esplendor de um nome illustre e immaculado. Philosopho e guerreiro como Xenofonte, orador e soldado como Cezar. Estava elle fadado às primeiras prisões de seu paiz. Intelligencia superior enriquecida de uma illustração immensa, caracter rigidissimo, apurado em titanicas lutas contra os homens e as cousas; impetuoso e eloquente, energico para os fortes e meigo para os pequenos; fazendo na intimidade rebrilhar esplendidos os dotes do seu grande coração, ou então orador inspirado, arrastando n’um rapto de luz o auditorio que tinha a ventura de ouvir um por uma, como gemmas as palavras que lhe cahião dos labios vibrantes de emoção e enthusiasmo, affavel e pollido, unindo à mais nobre severidade mais franca, – tinha este grande homem a ineffavel fortuna de se fazer amado de todos quantos se lhe approximavão. Illustre nas armas e nas lettras, fez-se general aos quarenta e cinco annos fortuna bem rara nesta terra, e o que mais é, tornou-se para o chefe do estado um destemido soldado capaz de sustentar typo de cavalleiro sem medo e sem mácula! Teve adversários, mas nunca inimigos. Alguns rafeiros ladravão-lhe sobre a trilha, mas elle no entrepito de sua grande personalidade nem disto se apercebia. Nascido em Viçosa, a 11 de agosto de 1837, foi praça a 26 de junho de 1851. Impellido para a vida das armas por uma voz interior que lhe falava da gloria com extremecimento de jubilo, elle criança ainda, abandonava o lar, e rico apenas de fé que o impulsionava, percorria a pé os ínvios sertões em demanda da Fortaleza, onde vinha se alistar nas fileiras do exército. Desde logo manifestou-se o homem futuro. Activo e intelligente, corajoso e calmo, foi sempre um dos primeiros nos mais apertados lances daquella asperrima vida. As campanhas do Uruguay e Paraguay foram o theatro em que se desenvolveram a sua pasmosa coragem e a sua inquebrantável energia: As sucessivas promoções por actos de bravura e serviços relevantes, são o mais eloquente attestado do quanto elle fez de heroico n’aquella guerra. Em Riachuelo portou-se com valentia tamanha, que seu nome voou de boca em boca por toda a América do Sul. Tamandaré e Barroso, o almirante e o chefe, deveram-lhe em grande parte o brilhantismo d’aquelle feito. Nesta batalha ficou fundada a fortuna e a glória do pequeno peregrino da Viçosa. Riachuelo foi a sua Salamina. Paunero, o general em chefe argentino, rendeu-lhe a mais significativa homenagens pela tomada de Corrientes, erguendo os mais enthusiasticos vivas a elle que commandava a artilheria naquelle feito memoravel. Caxias, o soldado austero e soberbo, que nem estendia a mão aos seus marechaes, tinha o heróe cearense em estima tamanha, que o escolheu de preferencia para a arriscadissima expedição do Chaco, onde o jovem filho do norte fez prodigios de bravura revelando-se um grande capitão. Seus companheiros, como tributo aos grandes dotes militares deste valente, offereceram-lhe o quadro historico de um dos mais notaveis feitos daquella celebre expedição no qual destacava-se em primeiro plano a figura energica e gloriosa do jovem coronel. Naquella campanha memoravel, que consumiu milhares de vidas e esgotou as forças do paiz, deixando exausto um outro povo; nessa guerra de cinco anos em território estrangeiro, por terras desconhecidas, onde o soldado o menos a temer que tinha, eram as armas do inimigo, onde a peste, a fome, as intemperies tudo difficultavam. Tibúrcio, o soldado intrepido e valoroso, era sempre encontrado onde mais renhida andava a peleja, onde mais devastador andava a peste, e mais desoladora a fome. Nunca seu braço pendeu, porque nunca seu peito deixou de pulsar pela pátria. O desenlace dessa deplorável campanha, que mais foi um martyriologio do que uma guerra regular, deveu-se em grande parte ao seu talento e actividade, como ajudante general do 2º Corpo de Exército em operação nas margens do Aquidaban. Terminada a guerra voltou laureado, querido, admirado à provincia, donde havia partido pobre e obscuro. Todos guardão ainda na memoria o enthusiasmo com que foi elle recebido em sua terra, acompanhado dos bravos soldados do 26º de voluntarios. estabelecida a paz do governo encarregou-o de diversas comissões a qual mais honrosa. Foi inspector das fortificações e fronteiras do Alto-Amazonas, Comissário do governo na Europa para compra de armas e materiais de guerra. Percorreu a Itália, a Alemanha, a França, a Inglaterra, visitando as melhores fábricas de artigos bellicos. Nestas viagens enriqueceu-se de uma grande instrucção techinica. Na Escola Militar de Millão fez admirar o vastissimo conhecimento que tinha das armas. Comandou a Escola de Tiro de Campo Grande e a Escola Militar do Rio Grande e do Sul; foi nomeado Inspector das fortalezas da barra do Rio de Janeiro e das províncias de São Paulo e Santa Catharina. O governo encarregou-o do exame thécnico das fortalezas do Norte deste Parahyba ao Pará. Teve ainda a Inspectoria do 5º e 15º batalhões de infantaria e o commando das armas de Pernambuco. Até os seus últimos momentos exerceu o cargo de Inspector dos Corpos, companhias isoladas, estabelecimentos militares e fortalezas de Pernambuco ao Maranhao. Cabe-lhe também a honra de fazer parte da comissão que sob a presidência do Sr. Conde D’Eu foi incumbida da reorganização do Exército. Era dignatário da Rosa, Official do Cruzeiro, condecorado com o hábito de Crhisto, as medalhas da batalha Naval de Riachuelo, da Tomada de Corrientes, das Campanhas do Uruguay e Paraguay e com a medalha do Mérito Militar. Eis o que o eminente brasileiro, o grande cidadão que acaba de baixar à sepultura, exactamente no instante em mais fulgurava sua estrella no horisonte da patria. Em vida tão breve e tão accidentada, bem poucos terão motivos de tão legitimas desvanecimentos. O Brasil perde nelle uma das suas mais radiantes glórias, mas o Ceará vio com elle apagar-se a sua ultima esperança. Que a terra lhe seja tão leve quão dura nos foi a pena de perdêl-o.”
ADEUS AO HERÓI CEARENSE: A MORTE DE GENERAL ANTÔNIO TIBÚRCIO

“GENERAL TIBÚRCIO – Um golpe terrível vem de enlutar a nossa capital, roubando a existência do illustre general Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza. Tendo adoecido no anno passado veio da Côrte para essa província a procura de melhora, retirando-se no fim do anno para Pernambuco afim de exercer o cargo de commandante das armas dessa província. Havendo se aggravado os seus incomodos de saude pediu despensa deste cargo e voltou para esta capital, onde falleceusabado ultimo, às 9 horas noite, sepultando-se no domingoa tarde. O seu enterro foi um dos mais concorridos que tem havido nesta Capital. Um immenso concurso do povo acompanhando o feretro até o cemiterio, como signal de profunda magoa que causara a perda do illustre cearense que era uma affirmação gloriosa do patriotismo nacional. Os distintos officiaes do 11º batalhão e outros militares, amigos do general Tibúrcio carregaram o caixão até o cemitério. Ahi oraram com profundo sentimento e emoção os Srs. Capitão Miranda Santos, acadêmico Abel Garcia e alferes alumno Barbosa Lima, que lembraram a sua vida militar, cheia de nobres ensinamentos pelos seus actos de bravura. O general Tiburcio, tinha47 anos de idade. Era condecorado com o dignatário da Rosa, Oficcialito do Cruzeiro, Habito de Christo, Medalha do Mérito Militar. Compartilhando a dor que afflige a illustre familia do general Tiburcio, dirigimo-lhes a nossas condolencias, especialmente a sua digna esposa e seu genro, Exma. Sra. Dona Maria Augusta de Souza e Capitão Antônio Gomes Carneiro.”
ORAÇÃO FÚNEBRE AO GENERAL TIBÚRCIO – UM BRADO DE LUTO E GLÓRIA:

Lápide onde se encontram os restos mortais do Brigadeiro Tibúrcio, na Praça General Tibúrcio, conhecida como “Praça dos Leões” na cidade de Fortaleza/CE.
“NECRHOLOGIA – Oração fúnebre, feita pelo Capitão do 11º batalhão de Infantaria, Carlos de Miranda Santos, perante os restos inanimados do general Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza – Senhores! Ainda um dia de lucto! O exército golpeado, não pela mão do inimigo infrene, mas pela fatalidade que faz cahir todas as expressões, vê agora costernado e triste, caminhar para o sepulcro, como o sol ridente de um dia de inverno, o cadaver daquelle que em vida chamava-se ANTÔNIO TIBÚRCIO FERREIRA DE SOUZA! É um dia de lucto! Não porque as forças victais da natureza seguindo as reações do transformismo que abre valla commum para occultar o phenomeno da putrefação! Não. É o anjo da morte alejando a aza sinistra na frente de um grande cidadão! É uma glória do exército que cahe vencida pela morte como o batalhador defendendo os ultimos baluartes da a evolução. Tombou, não como os fructos apodrecidos pelo tempo cedendo as leis da gravitação universal. Era moço bastante para esperarmos muito d’elle. Tombou com o roble que vio muitas vezes perpassar sobre as ramagens florentes e desharmonia das tempestades! Foi o coração que o matou!!! A imagem dos grandes horisontes que visou desde menino ainda o genio que o guiara no mal renhido dos combates, não desvendava! Dia infausto foi o dia de hontem! de um lado, a família que ha de choral-o sempre, embora tenha um nome glorioso! Aqui são os cearenses patriotas, os cearenses ainda não callejados pela prostituição de interesses pequeninos; alli a terra natal que elle tanto extremecia em vida; além o soldado veterano alquebrado e gosto, recordando-se das glorias passadas!.. Dia infausto para todos nós. A vida militar do general Tibúrcio, é um manual completo do viver: do cidadão pelas virtudes cívicas do soldado pela bravura nunca desmentida, e assás provada nos campos de guerra; pela benevolência, carinho e afago da família e dos amigos! É a pátria que uma espada gloriosa, essa, ó pode choral-o com aquellas lagrimas de sangue, dignas de Simão, o filho de Melciades. Nome glorioso! O exército cabisbaixo, vê como eclipsou-se o astro da victoria. E a terra que lhe deu o berço vai também guardar-lhe os ossos, como guarda os de saudosa memoria do invido general Sampaio. O Ceará que elle tanto amou deve cobrir-se de lucto. O general Tiburcio não é hoje mais do Ceará, não é da parte são do exército que póde avaliar o seu civismo nem é também do Brasil. É da história. Os tempos de decancia servil, não poderão erguer em honra do que foi, uma columna, ou commemorar os feitos do grande cidadão; ella existe em nossos corações, havemos de transmittil-os à posteridade. Perante o cadaver só temos o sentimento d’aquelle que perdemos. Ao desembainhar aquella espada, sempre glorioza na pureza da terra heroica, levava de vencida o inimigo, era o Cid dos tempos modernos. Aqui é o exército cabisbaixo, vendo como se eclipsa um astro; allusão a dores pugentes que só o coração traduz quando soffre muito; além, é a terra que deu-lhe o nascimento, tem também a glória de consumir os restos do general Tibúrcio, com os do grande General Sampaio. Soldados, chorae. Aquelle que voz conduzia a victoria – morreu. Cearenses – Cubri vos de lucto da história glorioza, coberta de crepe, o general Tiburcio morreu. Morreu como morrem os heroes; morreu como sabe morrer os bravos, morreu como catão nos campos de útica; morreu por que o corpo baixou à sepultura. De lado as questões partidárias, a retaguarda esses odios pequeninos, respeito ao cadaver, lagrimas ao benemerito da pátria. Choremos ao bravo, cubramo-nos de crepe, a nossa dor deve ser extrema! Soldados chorae vosso general! Cearenses chorae vosso filho. Cidadãos chorae o campeão da liberdade. Filhos da terra de Santa Cruz chorae uma espada de menos para garantir um povo livre. Oremos por elle”

Praça General Tibúrcio na cidade de Fortaleza, conhecida como Praça dos Leões.
“Ante o tumulo do general Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza – Senhores! – Alenta-me o animo a certeza de soltar n’este sombrio instante, umas notas sem harmonia, mas vibrantes de sentimento e verdade. Presenciando a morte dos que mais avantajada e nobremente cumpriram o seu dever de cidadão, não devemos esquecer – a immortalidade de bens legados a sociedade, façamos justiça ao general Tibúrcio, consagrando-lhe o penhor da nossa admiração e do sentimento que nos punge. Patriotismo apurado, energia fóra do vulgar, espírito penetrante e sagaz, eis os egregios predicados que exornava este cearense benemérito. Levando o devotamento à causa pública até o sacrifício, expondo muita vez, a existência, como um bravo; quando a pátria angustiada nos transes dolorosos de cruel pendencia internacional, reclamava o esforço ingente de seus filhos, explodia em seu peito, o sentimento do amor da pátria! São estas as acções beneficas do glorioso soldado que sua familia, os amigos e a patria, hoje pranteiam. Se a fragilidade é condiccional ao homem, e o general Tibúrcio soffreu o seu império, não chegou ella à embaciar a nitidez crystalina que sua vida gloriosa apresentava. Voltem, pois a fonte impura d’onde sahiram as imputações calumniosas que affrontamente lhe associaram até no leito de morte! É este o eu protesto: façam-no igual aos homens honrados que dóem collocar a verdade acima das considerações menos justas e puras. Aqui uma verdade dura e cruel se patentea: um grande cidadão que se transforma, e ao lado o povo que, em preito cívico, vem curvar-se à beira do tumulo que se abre. Dôe ver-se gelar uma cabeça de que sempre brotou em irradiações brilhantes, o fogo sagrado do patriotismo. O general Tibúrcio, senhores, já, tem seu nome inscripto na história nacional, não adornado de lantejoulhas que a lisonja e a venalidade prodigalisão, mas aureolado de fulgentes centelhas de gloria que, em arroubos de patriotismo e valor, a sua espada arrancou-no campo da honra nacional. Eu devera diante deste féretro que tanto nos comove, pagar ao illustre finado os mais eloquente e largo tributo de amizade e civismo; porém, sinto-me tolhido pela mais viva emoção. Posso apenas acrescentar por mim e por vós, como solemne protesto, escripto sobre a lapide de um sepulcrho, contra a calumnia e a injuria que nem respeitaram as agonias do moribundo, e como a estrophe mais intima e mais repassada de justa dor e saudade: GENERAL TIBÚRCIO, FOSTE AMADO, FIZERAM TE OVAÇÕES E INVEJARAM EM VIDA, SENTIRAM A TUA AUZENCIA E TE CHORARAM A MORTE…” Abel Garcia”
A GLORIFICAÇÃO DE UM HERÓI: INAUGURAÇÃO DO MONUMENTO AO GENERAL TIBÚRCIO:
“MONUMENTO – TIBÚRCIO – O povo cearense erigiu hontem a si próprio monumento immorredoiro. A estátua erguida ao general Antônio Tibúrcio Ferreira de Souza, attestará aos posteros a grandeza civica e a energia moral de que exubéra a alma desta geração. Porque só um povo de heróes sabe glorificar assim os heróes. Três annos sómente, são passados sobre a morte do bravo soldado e os seus concidadãos, antecipando-se quasi ao juizo da História, empenharam-se e não addiar por um momento sequer a homenagem, que as gerações por vir hão de confirmar. Nessa soffreguidão da apotheose ia também o empenho, justamente vaidoso, dos coevos de se affirmarem perante a posteridade, glorificando no valor de um soldado as virtudes de uma raça. E a posteridade dará razão. Na língua viril do Lúcio, a mais eloquente expressão do pensamento heroico, Virtus chama-se ao valor. Os conterrâneos de Tibúrcio receberam dos patrícios dos Scipiões e do César, a mesma concepção da bravura. A sua glória é a sua virtude e a sua virtude é o seu valor. O cearense, batalhador eterno, a quem a natureza creou no próprio solo ingrato o crysol do heroismo, devia penetrar na immortalidade sob a figura do filho do povo, que abriu caminho através da obscuridade sob a figura do filho do povo, que abriu caminho através a obscuridade e do infortunio, que ascendeu da choça, para a Historia, que desceu, pés descalços, a escarpa da montanha natal para subir, corôado de estrellas, o degrao de bronze da immortalidade. A fé de officio do governo devia de ser effectivamente o passaporte desta geração para o Pantheon. E é por isto que, hontem, quando as turbas aclamaram desvanecimento, si o povo pelo heróe, si o heróe pelo povo. Conta-se que Miguel Angelo, ao acabar a magestosa estatua de Moyses, ficou tão assombrado daquella admiravel creação do seu genio, que não sabia se explicar o que é que lhe faltava a ella para viver, e batendo-a com o martelo, exclamou desvairado: Por que não falas? o que o cinzel do genio que lhe não perde revelar ao espirito de turbas revelou-o hontem o sentimento das sua propria gloria. Quem de feito, não viu pairar nos labios de bronze da estatua, a exclamação de orgulho do cearense illustre, desvanecido da nobreza do seu povo? De certo, si a alguém fôra dado encostar-lhe o ouvido ao duro feito metallico, teria sentido palpitar lá dentro o coração de Tiburcio, tumido de emoção diante d’aquelle espetaculo grandioso de virilidade, de nobreza e do civismo”.
“A INAUGURAÇÃO – Bellas e imponentes foram as festas com que hontem se inaugurou a estatua. As 11 horas do dia, immensa multidão enchia toda a area do vasto quadrilatero da praça do general Tibúrcio. Deu começo à cerimonia o discurso proferido, de uma tribuna, ao pé da estatua, pelo nosso collega Sr. João Brígido, como orador da Commissão do Monumento. Aqui reproduzimos essa bella peça de eloquencia, que em poucas palavras resumiu a grande significação generalisadora da solemnidade cívica.
APOTEOSE DE UM HERÓI CEARENSE:
“Povo de bravos que tendes inscripto o vosso nome nas lendas mais santas da patria, é com vosco a manifestação de hoje, prenuncio dos destinos, que vos aguardão! Um heróe importa a crystalização das virtudes nacionaes. Toda individualidade, que fulgúra na esphera nitida da historia, representa o esforço, a indole, o caracter das gerações, indica o caminho, que povos inteiros teem escolhido, e rememóra seus trabalhos, suas lutas, suas quédas na longa travessia dos polos escuros da vida para o centro de rotação de humanidade. Acercando-vos d’este bronze, vivificado pelas recordações mais gratas e mais intensas, estamos nós em longe da apotheose fetichistas das idades barbaras. Não é diante do homem que se prosterna o povo, mas ante a virude, que d’elle se descobre, rendendo graças por aquillo, que se tem feito, de paes a filhos, dorante seculos, e no momento se authentica no bronze para a edificação da posteridade. Tibúrcio foi o vértice, o apice d’um padrão, cuja baze erão já os nossos avós. Foi o escolhido dos destinos para a condensação da força e da sabedoria de uma raça inteira, dispersas em atomos, para a encarnação das ideias e tendencias de um caráter assimilando os tempos. Sua gloria é nossa, o seu nome um farol de honra, que partilhamos com o predestinado. Elle sagrou a bandeira, que o braço viril de Martim Soares ergueu, primeiro. Era uma encarnação viva do nosso ser aquella aventura ousada, que um dia cerrou as portas à cabana, e desceu da cordilheira, para ir sentar-se no limiar da soberba nacional, pedindo-lhe um raio da luz infinda, que devássa os mysterios da natureza…, aquella infancia scismadora era tenue rebenta d’uma patente mentalidade. Dormia alli, n’aquella forma infantil, o genio immanente de muitas gerações de bravos, que transitavam, como o pó impalpavel do mundo romano, esmagado na eterna mó das revoluções. O homem é imperceptivelmente perpetuo; as nações voltão ao estado de moleculas, para se romperem. N’aquelle infante que apenas balbuciava a alpha da vida, estavão annos e seculos em seu casulo: estava o valor, a prudencia e a aptidão dos avós, a intelligencia, o dever e a honra destes tempos de altruismo santo, e de liberdade, avigorados no ferro e no fogo das sociedades priméveas. Foi assim que o rude camponez se fez um sabio, tomando a carabina, a espada, e finalmente o bastão do general. Bem haja o canto da terra, que produz gigantes assim! A sua glória é nossa. bem haja o heróe, que transitou pela vida, para engastar o nome cearense no firmamento da pátria, licção de força e de amor, que estimúla ao estudo, ao trabalho e das dores, verdadeira crysalida da virtude. Cearenses!… Sede sempre os mesmos; fortes, mas justos e munificientes para os grandes homens. Nunca, vos pese cinzelar uma lápide para os que bem preencheram a missão, que lhes coube n’este eterno combate, que offerecemos à natureza, abrindo caminho para as eminencias da história. Da nossa justiça devem brotar para nossa posteridade palmas e louros, respeitos e bênçãos. Todo romeiro da civilisação, tem tomando seu cajado para as civicas jornadas se sentirá forte pela seiva que lhe communica um povo inteiro, e pella convicção de que cahira, somente, na frente de irmãos, que lhe hão de fechar as palpebras osculando a face! Perdoae-me, si não posso traduzir toda a idéa, que torbilho na em vossa mente. Os fados vos impellem para um mundo desconhecido, de grandezas e perfeição moral, que não me é dado descortinar inteiro. Ninguém jamais diria, quanto n’este momento se possa em vosso espirito, acercando-vos d’este monumento que cala no espaço, como há de calar nas cidades, dando testemunho dos nossos maiores n’este testemunho de nós mesmos. Rendamos graças. E ao paiz inteiro, que sorri à fortuna de ter no Pantheon nacional tamanho vulto, tributemos a nossa gratidão, pois que conjuga os seus hosanas com o brado que erguemos: VIVA O GRANDE BRAZILEIRO! Estrepitosos applausos cobriram as ultimas palavras do orador. Nesse momento os exms. srs. Bispo de Ibiapaba, representante do comercio, correram os cordeis de veu que cobria a estatua. E oom vulto de bronze appareceu a multidão que rompeu em longas acclamações e palmas. Foguetes fenderam os ares, tocaram as bandas de musica, a fortaleza de Nossa Senhora d’Assumpção saudou com uma salva de 11 tiros; e a guarda de honra do 11º batalhão fez as continencias. Foi lavrado o auto da inauguração que, depois de lido em voz alta pelo Sr. João Lopes, foi assignado pelas pessoas presentes.”
A FESTA DO POVO: CELEBRAÇÃO CÍVICA E GLORIFCAÇÃO DO GENERAL TIBÚRCIO:
“Á’s 4 1/2 horas da tarde a população foi saudar o Monumento do Passeio Público partiu uma imponente procissão civica, formada por todas as classes distribuídas em ordem, conduzindo as respectivas bandeiras. A escola de Aprendizes Marinheiros, grande número de escolas e elogios civis, com uniformes distinctos, a musica do 11º Batalhão numerosa legião de senhoras, o corpo de empregados públicos, o batalhão dos preparatórios, o dos empregados públicos do comércio, a música policial, o batalhão dos artistas, a companhia dos jangadeiros, o corpo dos libertos e dos honorarios reformados e invalidos. Compunham o extenso prestito, que se desdobrava em uma linha maior de um kilometro, e ao som da música e das acclamações da multidão, percorreu as principais ruas da cidade. Chegada à Praça, desfilou a procissão civica em frente da estatua. Foi o cortejo de todas às classes da população ao glorioso Monumento. Um côro de senhoras cantou o hymno patriotico, escripto pelo Dr. Virgilio Brigido e posto em musica pelo sr. Tenente Benevolo. Proferiram discursos, em nome de diversas classes e sociedades, os srs. dr. J. Serpa, Dr. Farias Brito, D. A. Pamplona, Papi Júnior, Dr. Abel Garcia, Dr. Costa Ribeiro, A. Martins, O. Paiva, F. Rocha, Aragão, Belfort, João Lopes e major Bezerra. As principais ruas da cidade iluminaram-se e consérvaram-se graciosamente enfeitadas. Hoje e amanhã continúam as festas, a população, constituída por tudo quanto há nella de distincto, de bom e de patriótico, associou-se unanime e enthusiasta a grande solemnidade que foi mais do que a apotheose do heroe: – a glorificação do povo cearense.”
A INAUGURAÇÃO DA TELA DO GENERAL TIBÚRCIO: (A SEOLEMNIDADE DE ANTE-HONTEM NO MUSEU HISTÓRICO):

“O Archivo Publico e Museu Historico do Estado teve uma manhã festiva – a de ante-hontem com a inauguração em sua pinacotheca, de uma grande tela do general Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousa, o bravo soldado cearense que tanto elevou o nome da pátria, por feitos dignificantes, considerado, em seus dias de vida, como um dos mais illustres officiais do glorioso exercito nacional.
A solemnidade em apreço, levada a effeito na intimidade da Repartição e para a qual não houvera convites especiaes, todavia teve um cunho de incommum brilhantismo com a presença da elite das nossas classes armadas existentes em Fortaleza, notando-se a presença dos Exmos. Srs. General Eudoro Correia, Director do Collegio Militar do Ceará, coronel Manoel Collares Chaves e major Roderico Dantas Barreto, commandante e sub-commandante do 23º B.C, capitão de corveta Mattoso Maio, capitão dos Portos do Ceará, coronel Antônio Gomes Ribeiro Lima, commandante da Força Pública do Estado, major Virgílio Borba, Chefe do Serviço de Recrutamento Militar e vários officiaes do 23º B.C. e da Polícia, representantes da Imprensa, inclusive o da “Gazeta”.
Precisamente, às 9 horas, o Dr. Eusébio de Sousa, director do Archivo Publico, em succintas palavras explicou os fins da reunião, qual o da inauguração da tela do “Herói-soldado”, homenagem que lhe estava o dever o Museu Histórico, guarda das tradições de nossa terra, cuja finalidade tem por me avivar a perpetuar a recordação da vida e dos feitos dos nossos gloriosos antepassados, rendendo-lhes o mais vehemente preito de gratidão e de amor.
A inauguração da tela de Tibúrcio no dia de ante-hontem, era muito significativa, porque justamente eram decorridos oitenta e quatro annos do seu assentamento de Praça do Corpo Fixo da antiga Província do Ceará, com o desígnio de seguir para a Escola Militar do Rio de Janeiro.
Ao finalizar, o Director do Archivo o seu discurso, foi descerrada a bandeira Nacional que envolvia uma grande tela, surgindo então belíssimo quadro a óleo, apresentando a efigie do general cearense, em tamanho natural, com o seu uniforme de gala, ostentando sobre o peito as condecorações e medalhas conquistadas na sua brilhante carreira militar.
A tela de Tibúrcio mede 1m 77 x 1m 12.
O Trabalho artístico que muito recommenda o autor, pelo seu acabamento, é do pincel de J. Carvalho, ora prestando serviços profissionais ao Museu Histórico.
Inaugurada a tela, falou o tenente Luiz Flamariion Barreto de Lima, em nome do commando e da officialidade do 23º B.C.
O jovem e talentoso official, num bello improviso, demonstrando ser affeito ás lides da oratória, com facilidade de expressões, eloquente por vezes, alludiu à festividade do momento, rememorando os fetos gloriosos do grande militar, agradecendo, por fim, ao Diretor do Archivo Publico o Museu Histórico, aquella demonstração de apreço feita de modo tão significante ao exército brasileiro.
A inspirada criação do tenente Flamarion Barreto foi bastante applaudida, sendo o mesmo felicitado por seus collegas e pessoas presentes.
Finda a cerimonia, os assistentes demoraram-se por algum tempo em visita às dependências do Museu Histórico mostrando-se satisfeitos com a expressiva solemnidade que lhes foi proporcionada. Durante o acto fez-se ouvir a harmoniosa banda do 23 B.C. (Da Gazeta de Notícias, de 28 de julho de 1935).
TIBÚRCIO IMORTALIZADO: UM MRCO NA HISTÓRIA E SUA INAUGURAÇÃO:
“A commissão promotora desse monumento já enviou aos Srs. Boris Fréres, de Paris, tres saques na importancia de r$ 8.065.75, quantia já sufficiente para a fundição da estatua. Calcula-se, entretanto, que a despesa com o transporte, construcção do pedestal, preparação da praça subirá a mais de 8.000$, pelo que deve a comissão redobrar de esforços para obter o exito completo de seu empreendimento. Em seu nome pedimos às pessoas que subscreveram e ainda não enviaram seus donativos o obsequi de fazel-o. E’ thezoureito da commissão o Sr. Alferes Martins, ajudante do 11 batalhão”. (LIBERTADOR, 1887, Pág. 2).
FONTES:
A Federação, Ano II, Porto Alegre, 1º de abril de 1885, N. 74, Pág. 2.
Correio da Manha, RJ, 11 de Agosto de 1937, Quarta-feira, Ano XXXVII, N. 1344, Pág. 3.
Gazeta do Norte, Ano V, 2 de abril de 1885, Quinta-feira, N. 65, Pág. 2.
Gazeta do Norte, Ano V, 2 de abril de 1885, Quinta-feira, N. 65, Pág. 4.
Gazeta do Norte, Ano VIII, 9 de abril de 1889, Segunda-feira, N. 78, Pág. 1
Jornal da Fortaleza, CE, 13 de abril de 1870, Quarta-feira, Anno II, Págs. 1-2.
Brigadeiro Tibúrcio – Um herói Cearense – Gilton Barreto.
Viçosa do Ceará Sob Um Olhar Histórico – Gilton Barreto, 2012.