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ANTÔNIO HONÓRIO PASSOS: COMERCIANTE, LÍDER CÍVICO E PRIMEIRO PREFEITO CONSTITUCIONAL DE VIÇOSA DO CEARÁ:

ANTÔNIO HONÓRIO PASSOS, filho de João Vieira Passos e Francisca Maria de Jesus, neto de Jacinto José dos Santos e Tereza Maria de Jesus. Nasceu em 1871 na Fazenda Malhadinha, veio para Viçosa ainda jovem e empregou-se como caixeiro na Casa Pinho Irmãos, mais tarde estabeleceu-se por conta própria com armazém de tecidos e casou duas vezes, a primeira com Francisca Olgarina Passos (* 16/05/1874 + 19/10/1935), filha natural de Maria do Carmo das Mercês e a segunda com Maria Aragão Fontenele Passos.
“CAPITÃO JOÃO VIEIRA PASSOS Victima de pertinaz enfermidade que zombou de todos os recursos medicos, falleceu na fazenda Bôa Vista, municipio de Granja, no dia 26 do corrente, com avançada idade de 75 annos o abastado fazendeiro Capitão João Vieira Passos. O extincto era natural de Peracuruca, Estado do Piauhuy onde residio por longos annos e onde consorciou-se com D. Merenciana Vieira, já fallecida de cujo enlace não teve filhos. Não podendo se aoptar com a desoladora solidão em que o deixára a morte da companheira fiel dos melhores dias de sua vida, resolveu casar-se a segunda vez o que, porém, só levou o effeito muito depois, tendo do seu segundo matrimonio com D. Francisca Passos, senhora de excelsas virtudes e também já fallecida quatro filhos os quaes são: O Capm Antonio Honorio Passos, commerciante, residente em Viçosa, José Feliciano Passos, residente em sua fazenda Malhadinha, e os honrados commerciantes desta praça capitão Raymundo Lino Passos e o nosso distincto e prestimoso amigo major Salustiano Passos, e intelligente Procurador da Republica neste Município. Enviuvado a segunda vez, o saudoso extincto por mais esforços que fizesse não poude se habituar com a vida de solteiro, tanto mais, quando com a morte de sua segunda consorte, ficara só, sem uma pessôa, amiga que lhe mitigasse a saudade do ente querido e dos filhos estremosos, já então todos casados e longe das suas vistas paternaes. Foi assim que resolveu unir-se pela terceira vez em matrimônio com a Exma. D. Maria Ramos, tendo do seu enlace com esta virtuosa senhora, quatro filhos, todos menores que nessa idade não podem avalia a perda que soffreram. O capitão João Vieira Passos era homem de crenças firmes; como político militou sempre nas fileiras do grande partido Conservador, sendo por isto muito considerado dos amigos que o extremeciam. Esposo exemplar, pai extremoso e amigo dedicado, o illustre etincto deixa no sei da sociedade Granjense em vacuo imprehenchivel. Sentimentalisando tão sensivel perda, damos pezames ao partido Granjense Conservador, e sua Exma. esposa D. Maria Ramos e a todos os seus filhos, com especialidade ao nosso presado amigo, honrado commerciante em Granja e um dos fortes esteios do nosso partido na referida cidade.” (PÁTRIA, SOBRAL/CE, 4 DE ABRIL DE 1914, N° 181, Pág. 3).
O GOVERNO DE ANTÔNIO HONÓRIO PASSOS: DESENVOLVIMENTO, INFRAESTRUTURA E LEGADO EM VIÇOSA (1935-1937):
Em 15 de agosto de 1919, na Sessão do Gabinete Viçosense de Leitura, Francisco Caldas da Silveira, foi designado para compor a Comissão encarregada da construção da sede própria do Gabinete, juntamente com os consórcios Tristão Vieira e Francisco das Chagas Pindaira Pacheco, da qual faziam parte desde a sua constituição os consórcios Pe. José Carneiro da Cunha, seu presidente e Antônio Honório Passos. Em plena vigência da Constituição Estadual de 1934 e após a eleição em 25 de maio de 1935, e respectiva posse do 1º governador Constitucional do Estado do Ceará, Dr. Francisco de Menezes Pimentel, realizou-se, em 29 de março, a eleição para prefeito e vereadores do município de Viçosa, sendo eleito para exercer o cargo de prefeito municipal o comerciante Sr. Antônio Honório Passos, candidatos apoiado pela Liga Eleitoral Católica – LEC.
Segundo o historiador Dr. Edgar Bezerril, “Em 1937, em seu governo se deu a inauguração da estátua do general Tibúrcio graças ao seu louvável esforço, que fez muito trabalho nesse sentido. Faleceu no ano de 1951. Em sua homenagem, em sua terra natal existe o Ginásio Esportivo Antônio Honório Passos e uma rua em seu nome. No governo de Antônio Honório Passos existia no município cerca de 2 (dois) engenhos movidos a força do motor e 12 movidos a força animal, produzindo manualmente 25 mil cargas de rapadura e 60 mil canadas de aguardente; as casas de farinhas existentes no município em número de 152, produzia cerca de 2 mil alqueires; as instruções no município era ministrada através de uma Escola Reunida, quatro escolas rurais e estaduais e dez escolas particulares. Esses estabelecimentos educandários possuíam em frequência, a seguinte quantidade de alunos: Escolas Reunidas (144 alunos); Escolas Rurais Estaduais (160 alunos); Escolas Particulares (300 alunos); Os distritos pertencentes ao município de Viçosa eram Tubarão, Lambedor e Jaguaribe que estavam ligados entre si pelas estradas de rodagem que se dirigiam para Granja, Tianguá e Cocal no Estado do Piauí. As 320 propriedades rurais, em que estavam divididas as terras do município, enviavam suas mercadorias, desta maneira, para os centros consumidores, através destas vias de comunicação. O Prefeito do Município o Sr. Antônio Honório Passos tinha como secretaria a senhora Alaíde Passos Pinho Pessoa; o município rendia por ano uma média de trinta contos de réis, possuindo luz elétrica fornecida pela empresa de Força Luz de Viçosa; os habitantes do município eram em número de 30.000 em todo o território, incluindo nessa cifra, cerca de 4.000 pertencentes à sede, ou seja, a cidade de Viçosa; as comerciais e comerciantes ambulantes registrados na prefeitura local, eram em número de 216, com 45, destinados somente na cidade de Viçosa; o número de prédios, em todo o município, eleva-se a 1.200, sendo, somente na sede 617 edifícios; o matadouro municipal abatia, por ano, a seguinte quantidade de gado: bovinos (1.050 cabeças), caprinos (1.200 cabeças), suínos (1.200 cabeças).
VIÇOSA NOS ANOS 30: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, SOCIEDADE E REGIMENTOS MUNICIPAIS:
Os prédios públicos municipais existentes no município eram a Cadeia Pública que é o mesmo que servia a Câmara Municipal em sua parte de cima, o mercado, o matadouro e o cemitério. Existia no município a Sociedade Recreativa denominada 25 de Setembro e um Gabinete de Leitura. Uma das Sociedades Eclesiásticas existentes eram Confraria São Vicente de Paula, Apostolado da Oração, Congregação das Filhas de Maria, Irmandade do Santíssimo Sacramento, Doutrina Cristã e Propagação da Fé. Nesta época a Câmara Municipal de Viçosa era composta de 9 (nove) vereadores eleitos por quatro anos, mediante sufrágio direto e voto secreto. Segundo o art. 3º do Capítulo I, da Composição da Câmara e da Divisão das Legislaturas, do Regimento Interno, as funções do vereador à Camara Municipal de Viçosa constituía serviços públicos relevante e seriam exercidos gratuitamente. O art. 4º relatava: “cada legislatura compreende o período de quatro anos, devendo os seus trabalhos ser dividido em oito sessões ordinárias, à razão de suas sessões por ano, sem prejuízos, das extraordinárias que se realizarão de conformidade com o disposto neste Regimento”. O parágrafo único: “A presente legislatura terminará em vinte e quatro de maio de 1939”. Era secretariado por José Bruno Figueiredo Porto. Cria o novo código municipal, decreto n.º 12, de 17 de dezembro de 1938, com 37 páginas, que trata das infrações e das penas; dos preceitos para a boa execução desta Lei; dos bens de uso comum e dos terrenos; das construções; dos matadouros e açougues; do comércio, indústria e profissões; do sepultamento, do zelo aos bens públicos, do trânsito geral e da contravenção ao perigo comum; da polícia sanitária; dos veículos, da criação e lavoura e das disposições gerais.
A DESCENDÊNCIA DE JOÃO VIEIRA PASSOS E O PAPEL DE ANTÔNIO HONÓRIO NA HISTÓRIA DE VIÇOSA:
Eram filhos de João Vieira Passos e Francisca Maria de Jesus:
1 – Raimundo Lino Passos casado com Izabel Moraes Passos;
2 – José Feliciano Passos casado com Raimunda Livramento;
3 – Salustiano Passos casado com Ana Pessoa Passos;
4 – Maria Francisca de Jesus casada com Raimundo Pereira;
5 – João Vieira Passos Júnior casado com Maria Ramos Passos, e deste enlance matrimonial teve uma filha de nome Maria Vieira casada com Francisco Sampaio.
Filhos do primeiro casamento de Antônio Honório Passos e Francisca Olgarina Marques:
1 – Mário Passos (*8/04/1897 + 03/07/1979) casado com Lucila Paixão (*24/07/1898 + 02/05/1992); sua biografia se encontra no livro “História, fatos e fotos de Viçosa do Ceará”;
2 – Antônio Honório Passos Filho (*02/05/1903 + 06/03/1983) casado com a senhora Cecy de Carvalho Passos (1ª núpcias) e com a senhora Maria Menescal M. Passos (2ª núpcias);
3 – Monsenhor Olavo Passos: Nasceu em Viçosa do Ceará, a 15 de novembro de 1899, filho legítimo de Antônio Honório Passos e de Francisca Olgarina Passos. Dos sete irmãos por parte de pai e mãe, todos se casaram, exceto Mons. Olavo e Honorina. Monsenhor Olavo Passos fez seus estudos primários e Viçosa do Ceará, estudo em Sobral e Fortaleza . Foi ordenado Sacerdote por D. José Tupinambá da Frota em Sobral no dia 15 de abril de 1923. Celebrou sua Primeira Missa na Catedral de Sobral a 16 de abril de 1923. Foi nomeado vigário cooperador do Pe. Custódio de Almeida Sampaio, em São Benedito, sucedendo-o logo depois como vigário da paróquia. De 1933 a 1934 lecionou no Seminário Menor de Sobral. Foi nomeado Cura da Sé de Sobral a 8 de fevereiro de 1935. Foi agraciado com o título de Cônego Honorário do Cabido Metropolitano de Olinda e Recife. Depois de alguns anos o Papa XII concedeu-lhe o título de Mons. Protonotário Apostólico. Em 1939 foi nomeado Reitor do Seminário Diocesano. Foi nomeado Vigário Geral da diocese e durante este tempo organizou as seguintes instituições:
Desde 1936 que se preocupou em organizar e dirigir as congregações marianas, dando-lhes um grande impulso indo até a fundação da Federação das Congregações Marianas (masculinas e femininas) de toda a diocese. Foi um período áureo. O cargo de Vigário Geral exerceu por longo tempo. Foi um sacerdote exemplar e muito querido por todo o clero diocesano. Foi Capelão da Igreja do Menino Deus em Sobral. Celebrou suas Bodas de Prata Sacerdotais em 1948 na cidade de Sobral. Fez duas Bodas de Ouro sacerdotais em 1973. Transferiu-se de Sobral para a Diocese de Parnaíba, no Piauí, em 1954, onde exerceu vários cargos e por fim já idoso e doente, resolveu ir ajudar o seu colega Mons. Benedito em Piracuruca, depois continuando a ajuda ao Pe. Oney, cearense que trabalha na Diocese de Parnaíba. Monsenhor Olavo foi um sacerdote de muitas virtudes, destacando-se o espírito da pobreza. Tudo o que ganhava dava aos pobres. Soube superar em silêncio as injúrias e difamações de que foi vítima. Viveu pobre, preocupou-se sempre com os pobres, principalmente crianças e morreu pobremente. Falava-se pausadamente, escandindo as palavras com unção, ás vezes repetindo-as para causar efeito, o que dava a impressão de tartamudear. Era indiscutivelmente um padre carismático. O vulto mais admirado e respeitado do clero sobralense. Um sacerdote que abeberava o espírito nas fontes da luz do Evangelho. Na velhice estendeu cultivar a veia política, escrevendo muitas quadras e sonetos, explorando os temas e beleza da natureza. a beleza da vida, a dor, o sofrimento. Em Piracuruca, encontrou uma família caridosa que cuidou dele até a morte, ressaltando a senhora Aluísia da Costa de Sousa. Segundo a mesma ele confessou na véspera da morte, ocorrida às 16:00h do dia 13 de abril de 1987. O velório foi feito na Matriz de Piracuruca. Suas exéquias foram celebradas pelo Sr. Bispo Dom Joaquim Rufino do Rego, de Parnaíba e Concelebração de 08 (oito) sacerdotes, inclusive o vigário de sua terra natal, Mons. Francisco das Chagas Martins que compareceu com o Prefeito Francisco Haroldo de Vasconcelos e uma representação da cidade de Viçosa do Ceará. (BARRETO, 2012, PÁG. 341-343).
4 – Honorina Passos (Religiosa, Irmã de Caridade e por mais de vinte e cinco anos foi diretora do Ginásio São José);
5 – Alaíde Passos de Pinho Pessoa casada com Justo de Pinho Pessoa;
6 – Diva Passos Correia casada com Dr. Jaime Correia;
7 – Marieta Passos Silva casada com José Maria Tavares Silva;
8 – Caio Passos, Nasceu a 18 de abril de 1909 em Viçosa do Ceará e faleceu em Parnaíba às 18h do dia 11 de dezembro de 1988, sendo sepultado no cemitério da Igualdade.

Casado com a senhora Edisse Fontenele Passos., teve seis filhos:
8.1. Socorro;
8.2. Vera;
8.3. Mário;
8.4. Caio;
8.5. Sandra;
8.6. Tânia.
Caio Passos era historiador, biógrafo, cronista, jornalista e folclorista. Pertenceu à Academia Parnaibana de Letras, a Sociedade Parnaibana de Expansão Cultural e a Associação Parnaibana de Imprensa. Assinava a coluna “Baú Velho”, nos jornais “Tribuna de Parnaíba” e “Norte do Piauí”, onde publicou cerca de duzentas crônicas biográficas, históricas e folclóricas. Trabalhou como farmacêutico. Raul Furtado Bacelar, assim opinou em seu livro “Cada Rua, Sua História – Parnaíba”, ano de 1982: “Caio Passos é legítima expressão da cultura intelectual. Deixou inédito e inacabado: “Na Passarela da Poesia”, estudo biográfico e literário de quarenta poetas selecionados pelo autor. Escreveu “Monsenhor Carneiro – Sua Vida, Sua Obra” (1981). Assim, descreveu o Gabinete Viçosense de Leitura: “foi fundado em 1916, eu era menino da carta de ABC. Naquele recuado 1916 que nascia das cinzas da seca do “quinze” o “Gabinete” era para mim, apenas um divertimento, umas simples curiosidade de menino que só pensa em brincadeira, fazer diabruras pelas ruas. Gostava imensamente e acompanhar a Banda Rabelista com o seu carneirinho branco, pintado de verde-amarelo que servia de “mascote” da música do “Mestre Duca” e apanhar as flexas dos foguetes quando havia festa cívica em sua sede ali na esquina da antiga casa do alegre e divertido casal – José Augusto e Sá Munda. O Gabinete manteve por dilatados anos, a Biblioteca “Clóvis Bevilaqua” e o Curso Noturno de Alfabetização “Valdivino de Alencar”.(BARRETO, 2012, Págs. 418-419).
Do segundo Matrimônio:
9 – Maria de Salete casada com Dr. Edson Urano;
10 – Rubens Passos.
Com o desabamento da Igreja Matriz no ano de 1917, Antônio Honório Passos presidiu uma comissão responsável para angariar donativos para o soerguimento da ampla Matriz e com suas belas linhas arquitetônicas.
Fonte:
Viçosa do Ceará Sob um olhar histórico, 2012 – Gilton Barreto.